A Máquina

Confira!

Por Antonio Soares em 23/08/2017 às 10h43.

A MÁQUINA...

 

Um dia o homem inventará uma máquina capaz de viajar pela mente humana. É claro que até lá todos nós estaremos devidamente acomodados às moléculas deste planeta. Mas uma máquina que permita ao homem viajar pela mente humana seria a solução para o enfrentamento de todos os problemas que vivenciamos neste mundo?

Milhões são infelizes pela ausência de bens materiais, outros, por tê-los. Milhões são infelizes pelas enfermidades que os assolam. Outros gozam de saúde e mesmo assim não são felizes. O homem me parece, nunca está satisfeito. Algo sempre lhe falta. Mas esta falta seria fruto da incompreensão de sua própria natureza, ainda que muitas informações sobre si já o tenha?

Talvez a fonte de todo o seu mal seja fruto do seu analfabetismo conceitual? Por acreditar que já sabe muito sobre o que estuda, pesquisa e recria, isso o deixa feliz? Não, o homem é como um câncer não se sacia nunca. Talvez viajar por sua mente seja necessário para elucidar suas inquietudes ou quem sabe parte delas.

Por não saber tudo. Isso o deixa infeliz. Pois, seu analfabetismo conceitual sempre lhe deixa no abismo da incerteza. Logo  entre o que se lê e interpreta há uma enorme distância. Em meio a esses extremos, palavras são antes de tudo signos. Os quais sempre padecem de simbolismos, ou seja, da capacidade extraordinária de receber atribuições além das limitações materiais ou imateriais, o  que também nos oferece um mundo de crenças e/ou equívocos.

Talvez seja por isso que o homem se danou a criar. E agora precise criar uma máquina para caminhar sobre o funcionamento de sua mente. E lá encontre a felicidade ou a explicação dos seus problemas. Pois o cérebro já não e mais o limite, mas a mente, sim. Esta ainda mostra-se um terreno inóspito e inquietante.

Contudo o maior problema para esta máquina não mais seria viajar sobre a mente, mas discernir a seara simbólica na qual a mente humana se afundou. Seria ela capaz de instrumentalizar o homem numa leitura fiel de si mesmo? Poderia a partir de então apresentar resultados objetivos e imparciais de sua própria condição? Isso seria então o meio capaz de fazer o homem reparar seus erros e buscar o caminho correto e quem sabe encontrar na felicidade  sua morada eterna? Talvez.

Por séculos o que temos é um devaneio viajante em espiral entre o mundo macro e o mundo micro. Onde não se permite ao homem sonhar, além disso. Impera-se o medo na busca das leituras dimensionais que lhes são manifestas. Contudo pela ausência de elementos apropriados passa por elas como os analfabetos pelas letras.

O homem tem medo do plano dimensional. Não se lança ao mesmo, desta forma  quase todas as noites ao deitar, esses planos dimensionais se abrem nos seus sonhos. Engatinha neles e quando acorda de nada ou quase nada se lembra. E sempre o tem como pesadelos.

Em suma, realmente o homem precisa de uma máquina que o leve não apenas ao infinito de sua mente, mas também nas curvas dimensionais que o seu cérebro lhe reserva. Pois assim irá ao encontro de respostas mais conclusivas sobre si mesmo, caso contrário, viverá como um pirata caolho, vivendo e vendo apenas a metade do mundo em que vive.


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